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Manejo da Dor nos Níveis de Atenção à Saúde no SUS

  • dralucianabuin
  • 8 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

Um cuidado integrado, humano e baseado em evidências


A dor crônica é hoje reconhecida como uma condição de saúde complexa, multifatorial e com impacto significativo na vida das pessoas. No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) organiza sua resposta a essa demanda por meio de uma rede que integra diferentes níveis de atenção, protocolos públicos e serviços especializados — incluindo os Centros de Referência da Dor Crônica (CR Dor), iniciativa da Secretaria de Saúde da cidade de São Paulo. Essa organização propõe que cada pessoa receba o cuidado certo, no momento certo, de acordo com suas necessidades biopsicossociais.


Atenção Primária à Saúde (APS): o primeiro contato e o cuidado longitudinal


A APS é a porta de entrada da população no SUS. É aqui que o manejo inicial da dor crônica acontece, fundamentado em:

  • Acolhimento e classificação de risco, considerando fatores físicos, emocionais e sociais.

  • Avaliação ampliada baseada no modelo biopsicossocial, conforme diretrizes como o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Dor Crônica (link).

  • Intervenções não farmacológicas de primeira linha, incluindo educação em dor, promoção de atividade física, orientações funcionais e estratégias de autogerenciamento.

  • Acompanhamento contínuo, prevenção de incapacidades e identificação precoce de sinais de alarme.

A APS também é responsável pela coordenação do cuidado e, quando necessário, pelo encaminhamento estruturado para níveis mais especializados.


Atenção Secundária: serviços especializados e equipes multiprofissionais


Na Atenção Ambulatorial Especializada, encontram-se profissionais com expertise em condições dolorosas persistentes.

A atuação aqui é multiprofissional, com foco em avaliação detalhada, definição de planos terapêuticos individualizados e intervenções que ampliam participação social, mobilidade e autonomia.


Centros de Referência da Dor Crônica, São Paulo (CR DOR)


O Protocolo Municipal de Atenção Integral às Pessoas com Dor Crônica da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo organiza a linha de cuidado da dor no SUS paulistano a partir de uma abordagem interdisciplinar e centrada na pessoa, estruturando fluxos entre APS, Atenção Especializada, Reabilitação e o Centro de Referência em Dor (CR Dor). O documento define critérios de encaminhamento e contrarreferência, estabelece a avaliação ampliada com foco biopsicossocial, prioriza intervenções não farmacológicas baseadas em evidências — como educação em dor, promoção da funcionalidade, reabilitação e abordagens psicossociais — e orienta a construção do Projeto Terapêutico Singular (PTS) como eixo norteador do cuidado. O protocolo reforça o papel estratégico da APS como coordenadora da linha de cuidado, a atuação multiprofissional integrada nos níveis secundário e terciário, e reconhece a importância de profissionais como a Terapia Ocupacional na restauração da participação social, autonomia e qualidade de vida das pessoas com dor.


A atuação da Terapia Ocupacional no manejo da dor

A Terapia Ocupacional é parte essencial de todas as etapas do cuidado, contribuindo para recuperar significado, autonomia e participação ocupacional. No SUS, a atuação da TO está alinhada aos modelos internacionais (AOTA, 2020; ICF/WHO) e às diretrizes brasileiras de reabilitação.

A intervenção pode incluir:

Na Atenção Primária

  • Educação em dor com foco em neurociência e autogerenciamento.

  • Estratégias para retomar ocupações prejudicadas pela dor (autocuidado, trabalho, lazer).

  • Planejamento de rotinas, economia de energia e ergonomia no cotidiano.

  • Ações coletivas e grupos terapêuticos com foco em funcionalidade e autocuidado.

Na Atenção Secundária

  • Avaliação ocupacional detalhada com instrumentos funcionais validados.

  • Treino de atividades significativas e adaptação do ambiente.

  • Intervenções voltadas à restauração de papéis ocupacionais, produtividade e participação social.

  • Técnicas baseadas em evidências para modulação da dor, como imagética motora, exposição graduada ao movimento e abordagens centradas em objetivos SMART.

Nos CR Dor

  • Integração em equipes interdisciplinares

  • Reabilitação intensiva orientada à funcionalidade e objetivos ocupacionais.

  • Intervenções avançadas em dor persistente, incluindo estratégias para evitar o ciclo de desuso, catastrofização e isolamento social.

  • Reconstrução de identidade ocupacional em casos de dor de longa duração.

"A Terapia Ocupacional contribui para que cada pessoa recupere potência, autonomia e sentido nas suas atividades diárias, promovendo participação plena apesar da dor."


Um cuidado que respeita a história, o corpo e a vida de cada pessoa


O manejo da dor no SUS avança continuamente, apoiado por protocolos públicos atualizados, serviços especializados e uma rede multiprofissional comprometida com a humanização e a ciência. Inserida nesse contexto, a Terapia Ocupacional oferece uma abordagem única: olha para a dor através da lente da ocupação, compreendendo que viver com qualidade vai muito além do alívio sintomático — envolve retomar o que importa.


 
 
 

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